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Villanueva de Valrojo - Demonios e Antruejos

 

Documentário realizado por Manuel Gardete e produzido pelo professor António Tiza, da Academia Ibérica da Máscara.

Villanueva de Valrojo cumpre o seu Entrudo com um estrito respeito pela tradição. Dezenas de "carnavais" (mascarados) de ambos os sexos e de todos os grupos etários deambulam pelas ruas da localidade, fazendo soar o seu volumoso conjunto de chocalhos de diferentes dimensões e manobrando as suas longas tenazes extensíveis de sábado a terça-feira de Carnaval. Visitam os residentes, saúdam-nos nas suas casas e pedem o "aguinaldo" (donativo) para a organização das celebrações. Trata-se de um ritual de fertilidade, prelúdio da primavera e divertimento para habitantes e forasteiros que acorrem a estes entrudos tradicionais.

A festividade termina no momento da entrada na Quarta-feira de Cinzas. Precisamente à meia-noite de terça-feira de Carnaval, três demónios iniciam uma procissão noturna, solene e simbólica, pelas ruas da aldeia até entrarem no salão de baile. Nesse momento, cessa toda a diversão, música e dança. Estas enigmáticas personagens vêm anunciar que chegou o momento da penitência, do jejum e da abstinência.

Acompanhados por um nutrido grupo de sequazes — os "carnavais" —, os demónios realizam um ritual exorcizante dos pecados da comunidade, incensando esse espaço de folia carnavalesca com o fumo dos seus incensários de folha-de-flandres, carregados de brasas vivas e ervas aromáticas. Desta vez, estes demónios convertem-se em entes benéficos para a comunidade: os espíritos malignos que pairavam sobre a aldeia são expulsos por um período de um ano. Tal como uma hidra de sete cabeças, estes regressarão no ano seguinte, pelo que o Entrudo de Villanueva de Valrojo se voltará a celebrar ciclicamente, como um preceito religioso e mágico.

 

 

 

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