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MASCARARTE - Bienal da máscara 2021, em Jornal Nordeste, 30-11-2021

20 anos a celebrar a máscara e os mascarados
X Bienal da Máscara – MASCARARTE decorreu, em Bragança, ao longo dos últimos dias

Carina Alves

A candidatura que o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial – Zasnet fez em 2019, para queas festas com máscaras fossem consideradas património imaterial da humanidade da UNESCO, já está a ser avaliada pela Direcção Geral do Património Cultural. A candidatura diz respeito a mais de 30 rituais com máscaras de Trás-os-Montes, Salamanca e Zamora. A garantia de que segue um “bom caminho” foi deixada pela vereadora da cultura da autarquia de Bragança,

Fernanda Silva, à margem da abertura da X Bienal da Máscara – MASCARARTE, na quinta-feira da semana passada. “Está a ser avaliada mascarada a mascarada, ritual a ritual e está em fase de enriquecimento, por assim
dizer. Está num bom caminho para que a seguir possa seguir para o gabinete da UNESCO, onde será feita a avaliação final”, vincou a vereadora, que assumiu que se espera que isso mesmo aconteça dentro de um ano. Na abertura do evento, que contou com a inauguração da exposição temática “Mascaradas de Inverno da Raia Ibérica”, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, tendo sido também apresentado o catálogo da bienal de 2019 e aberto o “Espaço Máscara”, Fernanda Silva explicou ainda que os eventos que restaram são “perfeitamente  exemplificativos” daquilo que é a bienal, já, por culpa do aumento de casos de covid-19, muitos deles acabaram por ser cancelados, nomeadamente o desfile pelas ruas do centro histórico e a queima do mascareto, ambos marcados para este domingo que passou.

No evento, Luís Canotilho, da organização, lançou ainda o repto para que o evento seja realizado no Carnaval, até
porque, por esta altura, parece ter menos destaque, uma vez que a câmara também organiza uma outra iniciativa, alusiva ao Natal, sendo que a concentração das actividades é na Praça Camões, junto ao “epicentro” da bienal, o centro cultural. Fernanda Silva vincou que é algo que carece de conversações, tentando perceber qual será a melhor hipótese.

Mascararte JN.Antão

 Um dos chamarizes da bienal continua a ser o espaço dedicado à exposição de máscaras. São elaboradas pelos
vários artesãos que ainda há no concelho e que conhecem e trabalham a arte, mantendo viva esta tradição e cultura identitária.

Fernando Tiza, que participa desde a primeira bienal, produz máscaras há mais de 40 anos. Começou a fazê-las para os caretos de Varge. “Agora há muito mais artesãos. Na altura que comecei havia poucos e agora nota-se que há cada vez mais. O interesse tem vindo a crescer”, vincou.

Já Vítor Afonso, de Ousilhão, no concelho de Vinhais, trouxe máscaras, este ano, um pouco diferentes à mostra. Têm olhos de vidro, o que não, não é nada comum. “É uma experiência. Quero ver como o público reage”, contou o vinhaense de 35 anos, que considera que esta cultura tem vindo a ganhar cada vez mais destaque.

Amável Antão também não perde uma bienal. É artesão quase desde que se conhece com gente. “Costuma dizer-se que quem não aparece não existe, por isso gosto sempre de participar. Não sei se vou vender alguma coisa, mas é preciso mostrar que estamos cá”, disse.

Mascararte JN.abertura

A MASCARARTE contou ainda com a apresentação do documentário “Villanueva de Valrojo: demonios e antruejos”, um fórum sobre o papel das comunidades nos rituais das festas de inverno, assim como a inauguração de mais duas exposições: “MascaradasRaianas” e “Um Outro Olhar Sobre a Máscara”.

 

 

J.Nordeste

Mascararte J. Nordeste 2

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