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Parada de Infanções - A festa dos rapazes é liderada por mulheres

Parada, carro festivo

EM PARADA A FESTA DOS RAPAZES É LIDERADA POR MULHERES

Segunda-feira, 30/12/2019 - 14:40


26 de Dezembro é dia de Santo Estêvão e na aldeia de Parada, concelho de Bragança, não deixou de se fazer a festa.

A tradição já é antiga e, até há pouco tempo, eram os homens casados os responsáveis pela sua conservação. Ao longo do ano os mordomos angariavam dinheiro para, no dia de Santo Estevão, assarem sardinha, depois oferecida à população num almoço que reunia dezenas de pessoas. Os homens casados ofereciam-se para fazer a festa do ano seguinte e eram carregados, pela aldeia, num carro de bois puxado por homens solteiros. Com o passar do tempo a tradição tem vindo a alterar-se por falta de juventude. Aquela que é designada também por “festa dos rapazes” no próximo ano vai ser organizada por quatro mulheres. Ana Rodrigues é uma das mordomas e, apesar de viver no estrangeiro, quis fazer parte da tradição. “Eu sou emigrante, já nasci lá fora mas sempre vi esta tradição, sempre gostei e assisti e venho de propósito”, contou. Alzira Rodrigues juntou-se a Ana Rodrigues. Não é da terra, mas conhece a tradição há 27 anos e considera que deve manter-se. “Vamos angariar dinheiro para fazer a festa e darmos a comer a sardinha, o polvo e o bacalhau”, explicou. Se a tradição se alterou no que toca à organização da festa, também o carro de bois que era puxado apenas por rapazes solteiros, já não é. A juventude na aldeia já é pouca e, por isso, são os homens casados que ajudam os mais novos. “Já nasci nisto e já fui criado com isto”, disse Jorge Vinhas, um dos casados que ajudou a puxar o carro. Contou ainda que desde pequeno lhe foi incutida a tradição, mas lamentou que se possa vir a perder, uma vez que são os mais velhos que ainda a mantêm. Já Paulo Brás é rapaz solteiro e mostrou-se orgulhoso por participar. “Acho espectacular a tradição, já existe há muito tempo e é uma pena deixá-la acabar”, disse. A animação contagiou a população e as pessoas saíram à rua para ver o carro de bois passar. “Já nasci com esta animação e hei-de morrer com ela”, disse Infância Afonso enquanto assistia à passagem do carro.

Jornalista: 

Ângela Pais

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