Leonel Folhento, um artista multifacetado com formação na área da cerâmica, despertou recentemente para a temática da máscara. Usa diferentes materiais e outras tantas técnicas.
“A máscara ritual é uma ponte, uma conexão entre o mundo físico, humano e o mundo espiritual, dos ancestrais, das divindades. Nesse ritual, acredita-se que o mascarado perde a própria identidade humana e incorpora a alma da entidade que a máscara representa e nesse processo a máscara deixa de ser o material que a compõe e transforma-se num ser vivo que ganha alma, através do ritual da dança e da música, permitindo que o espírito do ancestral ou a divindade se manifeste no mundo físico.” lgf
Leonel Gonçalves Folhento, nascido em 1963, tem as suas raízes em duas aldeias da Terra Fria Transmontana (Quinta das Quebradas e Bemposta).
Com formação superior na área do Ambiente, e pelo sentir inerente da Arte, estudou também no Atelier do Escultor e Ceramista Edgar Teixeira, em Oeiras, Lisboa, onde desenvolveu entre outras técnicas, a arte de trabalhar as pastas de barro/grés, sendo também autodidacta em outras áreas, designadamente pintura, gravura e madeira, tendo no seu historial diversas exposições em técnicas mistas.
Além da conservação da Natureza, através de uma importante ONGA portuguesa, divide também o seu tempo entre o prazer de escrever e a “arte com as mãos” (artesanato).
A magia da Máscara, desde logo cativou a sua atenção, começando a trabalhar a temática da “Máscara Decorativa”, assim como, a Máscara Ritualística, fruto de um interesse renovado com origem na ancestralidade da Máscara na região transmontana, que tem assumido uma importância cultural cada vez maior, revalorizando a “Tradição”, as Festas Tradicionais dos Reis, ou dos rapazes – Festas de Inverno.
Os seus trabalhos constroem-se em diferentes materiais, por vezes interligados, a referir pastas cerâmicas, chapa metálica, pasta papel machê e madeira, privilegiando o aproveitamento de materiais sobrantes, numa perspectiva de Economia Circular.
Tributo à Máscara
M ovimento Sagrado
A ventura profana
S amael, chocalha no prado
C adência insana
A rawn, do submundo intenta
R ezo de protecção,
A cto pagão, transfiguração
R ito de passagem
I mpério de fantasia
T ransformação selvagem
U nião divina, poesia
A ncestralidade reminiscente
L ibertação senciente
lgfolhento “in poemas soltos”