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Salsas - Inauguração da estátua do careto

Salsas inaugura monumento ao careto

António Pinelo Tiza

            No passado sábado, 5 de janeiro, celebrou-se o principal dia da festa dos Reis de Salsas, cujas atividades se iniciaram, como manda a tradição, no dia de Ano Novo para se encerrarem no próprio dia estipulado no calendário cristão para a visita dos Magos ao Deus Menino – a Epifania. 

            Do programa das celebrações constou a inauguração do monumento dedicado ao Careto, uma obra de arte que representa o mascarado típico de Salsas, personagem principal desta festividade, da autoria de Luís Canotilho. A estátua de grandes dimensões está colocada na antiga estação ferroviária, ao lado do edifício cujas paredes exteriores foram revestidas pelo mesmo artista com azulejos alusivos aos caretos e respetivos adereços. No interior, foi criado um pequeno museu dedicado à mesma temática. A estátua do Careto foi construída por Luis Canotilho com recurso a uma técnica inovadora: o revestimento de uma estrutura de betão com pequenos azulejos, de variadíssimas formas e cores, uma máscara de cerâmica e outros elementos, obtendo assim a figura gigante do mascarado.

            A inauguração contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, dos vereadores do executivo e da oposição, da Presidente da Associação dos “Amigos dos Caretos dos Salsas”, da Vereadora da Cultura do Município de Mogadouro, do Presidente da Junta de Freguesia, da Academia Ibérica da Máscara e de outras entidades autárquicas e associativas.

            A realização da obra, que incluiu o monumento ao Careto e o revestimento com azulejos da Casa do Mascarado, é a concretização de um projeto de candidatura ao Orçamento Participativo de Bragança, apresentado por Filipe Caldas em 2017. Trata-se de um memorial que tem como finalidade a valorização deste elemento cultural identitário, não apenas da freguesia de Salsas mas também de uma parte significativa do distrito de Bragança – os rituais festivos de inverno com máscaras e de toda a simbologia que eles encerram.

            As celebrações festivas dos Reis de Salsas contaram este ano, para além dos caretos da terra, com a participação dos vários grupos de mascarados vindos de várias partes do distrito, os chocalheiros de Bemposta e Vale de Porco, os caretos de Grijó de Parada, Pinela, Parada, da zona do Douro Sul, os caretos de Lazarim, e da Espanha, Los Jurrus y Castrones de Alija del Infantado, província de León, que representaram, ao longo do desfile, a permanente luta entre os bons e os maus. Todos os rituais foram abrilhantados com a música céltica dos Gaiteiros de Lombada e com a tradicional música do grupo das Concertinas Brigantinas.

            Era já noite quando se procedeu ao ritual da queima do Ano Velho, representado pela figura alegórica de um careto gigante. Esta era uma obra de um outro grande artista da nossa terra, muito experimentado nestas artes e conhecedor dos rituais festivos de inverno – Acácio Pradinhos. Bem se pode dizer que este trabalho representa a efemeridade da arte (não que a expressão o desvalorize), se pensarmos que ela foi construída para ser queimada; contudo, a sua simbologia reveste-se da maior importância para a vida de uma comunidade – a eliminação dos males do passado (ainda que recente) para que todos os presentes possam dar entrada no Ano Novo convenientemente purificados desses males e pecados; por outras palavras, a purificação pelo fogo.  

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